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Meu caro Samuel Benchimol 22.02.2010
Recife, domingo, 27 de setembro de 1981
Gilberto Freire
Sua presença, no Recife, para comentar, na Fundação Nabuco, a conferência de cientista ilustre, Henrique Bergamim Filho, sobre o trópico umidamente amazônico, considerado na sua dramática expressão florestal, não é uma presença qualquer. È preciso que todo recifense, e não apenas o erudito, ou o versado em estudos sociais, brasileiros, em geral, amazônicos, em particular, saiba quem o Recife está tendo o gosto e a honra de hospedar por uns curtos dias. O mesmo Recife ainda quente tanto da presença de Julián Marias, sábio insigne, como da de Almerindo Lessa, antropólogo e humanista admirável por vezes tão ligado ao Brasil, terá agora a feliz oportunidade de ouvir a palavra de outro superior intelectual dos nossos dias e este brasileiro. Brasileiríssimo, até Nascido em Manaus. Criado em Manaus e Belém. Bacharel em Direito pela Faculdade do Amazonas.Fixado em Manaus, embora viaje muito. Curso de Pós-Graduação em Sociologia e Economia nos Estados Unidos. Amoroso da Amazônia e, através desse amor, esclarecido, seu analista, seu estudioso, seu intérprete: Samuel Isaac Benchimol.
Quem, em qualquer tempo, maior conhecedor da Amazônia Brasileira considerada nos seus aspectos sócio-econômicos? Quem mais amazonófilo? Quem, ao mesmo tempo, mais objetivo, mais científico, mais idôneo, no seu conjunto de saberes sobre a Amazônia? Quem mais singularmente plural sem que sua pluralidade signifique deletantismo? Quem mais lucidamente didático, na irradiação dos seus saberes?
Lembre-se de Você ter sido, durante seus estudos de pós-graduação nos Estados Unidos, professor de Língua Portuguesa na Universidade de Miami. Ao que se seguira, na sua volta ao Brasil, toda uma série de atividades didáticas de caráter universitário: Professor de Sociologia na Escola de Enfermagem do Amazonas, Professor de Introdução à Economia na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Amazonas, Professor de Economia Política na Faculdade de Direito do Amazonas, e finalmente Professor de Introdução a Amazônia na Faculdade de Estudos Sociais da Universidade do Amazonas.
Ao lado dessa atividade especificamente didática, a de autor de sucessivos livros, dentre os quais. O Bacharel no Brasil – Aspectos de sua influência em nossa História Social e Política. O Cearense na Amazônia, The Grwth of a City in the Amazon Valley (tese universitária). Problemas de Desenvolvimento com Especial Preferência no Caso Amazônico. O Banco do Brasil na Economia do Amazonas, Estrutura Geo-Social e Econômica da Amazônia, Política e Estratégica na Grande Amazônia Brasileira, O Pacto Amazônico e a Amazônia Brasileira, Petróleo na Selva do Juruá, Tendências, Perspectivas e Mudanças na Economia e na Sociedade Amazônicas, Amazônia Legal.
Livros Substanciais, neles se apresentam perspectivas de futuros Amazônicos, à base de conhecimentos diretos de atualidades significativas. E quem diz, não só atualidades, como futuros amazônicos, toca em situações regionalmente brasileiras de interesse cada dia maior para o Brasil total.
De Mestre Almerindo Lessa, ouviram antropólogos e médicos, convocados para ouvi-lo, na sala de reuniões do Seminário de Tropicologia, pela Fundação Nabuco, observações das mais argutas sobre o Homem em geral, considerado através de abordagens nas quais a perspectiva estética - a pintura de Gauguin – precedeu a científica. A Amazônia tem hoje um seu Gauguin no amazonense de origem nordestina Moacir Andrade. A presença nordestina na Amazônia vem sendo das mais marcantes.
Mestre Samuel Benchimol destaca-a num dos seus livros mais ricos de informações e mais vibrantes sugestões: O Cearense na Amazônia. Neste seu contacto com o Recife, metrópole do Nordeste, talvés lhe ocorra esta reflexão: que o bacharel nordestino, formado em Direito pela pioneira Faculdade do Recife, está entre os brasileiros mais intelectualmente presentes no abrasileiramento da Amazônia. Inclusive através do próprio pernambucano filho de Tobias Barreto, por algum tempo residente em Manaus.
Fonte: Diário de Pernambuco.









































