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Ainda sobre Sustentabilidade 28.04.2010
À vista da importância que representa a discussão sobre os rumos e opções de desenvolvimento do modelo Zona Franca de Manaus, sua diversificação e interiorização, é mais do que oportuno retomar e insistir na conotação do conceito de sustentabilidade quando aplicado às peculiaridades bióticas, climáticas, logísticas e, sobretudo, sociais desta região. Assumido oficialmente pela Conferência da ONU, em 1992, com a chancela de 156 países reunidos no Rio de Janeiro, o conceito vem evoluindo há algumas décadas para discutir contradições e saídas desta equação vital e crucial entre desenvolvimento e meio ambiente. A controvérsia, porém, tem história, bases materiais e referenciais globais desde a segunda metade dos anos 60, quando foi fundado o Clube de Roma. É relevante destacar que a iniciativa é de um empresário i taliano, Aurelio Peccei, que se associou a um cientista escocês, Alexander King, juntando Economia e Ciência para compartilhar o debate e equacionar os descaminhos sócio-ambientais da civilização predatória. Naquele mesmo momento, na Amazônia Ocidental, era lançado uma alternativa de desenvolvimento com parâmetros diferenciados de progresso, uma indústria sem chaminés... Surgia o modelo ZFM, cuja trajetória, após quase meio século, manteve 96% dos estoques naturais.
O primeiro relatório deste Clube - do qual o Brasil foi signatário de primeira hora - Os limites do crescimento, sob a responsabilidade do lendário Instituto de Tecnologia de Massachusetts, vendeu 30 milhões de exemplares e plantou as sementes da inquietação sobre os riscos do crescimento a qualquer custo e indiferente aos padrões sociais e ambientais produzidos. Eis aí o embrião do conceito de sustentabilidade. Daí em diante, pouco se avançou - além da Conferência de Estocolmo sobre Meio Ambiente Humano em 1972 - até a Cúpula da Terra, no Brasil, em 1992. As supostas queimadas da Amazônia, então, foram escaladas para despistar as emissões dos países desenvolvidos, especialmente dos Estados Unidos, autor à época de 25% da poluição da atmosfera global. O despiste ganhou até uma promessa do G-7, os países centrais, de US$ 2 bilhões, às vésperas da Cúpula, em 1991, em Houston, para “salvar as florestas tropicais”. Só a Alemanha levou adiante o compromisso.
Na Amazônia, a relação entre Economia e Ciência começa a ser ensaiada e sistematizada nas obras do empresário e intelectual Samuel Benchimol, um pensador nativo debruçado sobre rumos e opções de progresso no bioma tropical. Em Pólos de Crescimento e Desenvolvimento Econômico, de 1965 e Estrutura Geo-social e econômica da Amazônia, de 1966 foram lançadas os primórdios da análise econômica que permearam o início do modelo ZFM, focando as prioridades amazônicas em toda discussão do desenvolvimento material, onde à antropologia compete a gestão da ecologia . Em Guerra na Floresta, propositalmente lançado no Fórum Global da Rio-92, o pensador amazonense cunhou o paradigma amazônico de desenvolvimento, embarcando na contramão do ambientalismo oportunista e do eco-modismo maroto para apresentar seu conceito de sustentabilidade, que submete a riqueza da biodiversidade amazônica, sua geo-diversidade e etno-botânica à supremacia da homodiversidade, ou seja, o patrimônio natural em favor da prosperidade social inteligente e permanente. Em Zênite ecológico e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia ele tratou de sistematizar esta proposição e desafio, balizando os parâmetros da sustentabilidade para qualquer iniciativa amazônica: " ser economicamente viável, ecologicamente adequada, politicamente equilibrada e socialmente justa." Cabe, pois, à Economia e à Academia retomar a densidade dessa conceituação para fazer avançar seus pressupostos...
Por Alfredo MR Lopes.









































