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  • Paixão e reflexão, a Amazônia de Samuel Benchimol 22.02.2011

    Alfredo MR Lopes 
    alfredo.lopes@uol.com.br

    A celebração dos 50 anos da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas chega ao seu ponto alto com o lançamento, nesta semana, da reedição de um dos mais importantes tratados sobre a Amazônia, do Professor Samuel Benchimol, um intelectual dos mais brilhantes, atentos e compromissados com esta região. Em Amazônia: um pouco-antes e além-depois, uma obra de referência essencial para a compreensão da Hiléia, seus desafios, formação e perspectivas de prosperidade social, o leitor conhecerá um pouco da trajetória inquietante e fecunda desse pensador apaixonado pela floresta e seus habita ntes. Um intelectual-empresário dedicado inteiramente a conhecer, debater e apontar saídas para as delicadas e relevantes questões, desafios e possibilidades de seu tempo e de nossa gente. Mergulhar em Amazônia: um pouco-antes e além-depois é oportunidade ímpar de conhecer preciosas teses acadêmicas, que articulam economia e ecologia, para entender o necessário entrelaçamento entre geopolítica e antropologia social, como fatores de explicitação da identidade amazônica, sua biodiversidade e fascínio desta diversidade étnica. Holístico em sua abordagem, o professor Samuel é transdisciplinar em suas ilações e proposições, sem perder de vista o compromisso com a priorização do homem, “... o ente mais nobre da evolução darwinista”. 
    Precursor do debate amazônico sobre o conceito de sustentabilidade, o conjunto da obra do professor Samuel Benchimol, com mais de cem títulos, joga luzes sobre as contradições e incoerências do debate acadêmico quando o assunto é o desenvolvimento regional e racional em busca do crescimento econômico e da prosperidade social. Poucos autores se debruçaram com tanto empenho e fecundidade sobre o enigma amazônico, suas oportunidades, riscos e requisitos da perspectiva do desenvolvimento. Desde Pólos de Crescimento e Desenvolvimento Econômico, de 1965 e Estrutura Geo-social e econômica da Amazônia, de 1966, que são leituras obrigatórias para compreender os primórdios do modelo ZFM, suas perspectivas e necessidades de ajustes. Depois de Amazônia: um pouco-antes e além-depois, de 1977, um tratado de reflexão com mais de 800 páginas, Samuel avança em sua peregrinação acadêmica e obstinação pelo conhecimento, entre outras obras, em Guerra na Floresta, para amadurecer projeto geopolítico e de sustentabilidade em Zênite ecológico e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, onde ele ordena rigorosamente e sistematiza sua visão de mundo e postulações efetivas de transformação. 
    O que diria, contudo, o ideário amazônico de Samuel Benchimol sobre os engasgos do crescimento que entravam, hoje, a sustentabilidade do desenvolvimento regional? Como equacionar, por exemplo, os gargalos de infraestrutura e exigir que os projetos de expansão e crescimento sejam " ... economicamente viáveis, ecologicamente adequados, politicamente equilibrados e socialmente justos....", se segmentos obscuros do tecido social se infiltraram em setores, aparentemente desatentos, da imprensa, da igreja, da academia, de facções políticas e até de instituições da justiça para defender o atraso, o obscurantismo e a contravenção em nome da qu estão ambiental? Como exorcizar os inimigos da modernidade e racionalidade infra-estrutural, a favor da competitividade e transparência, se até eclesiásticos desencaminhados abençoam pseudo-intelectuais ressentidos em busca de patrocínios sinistros e do imediatismo do se dar bem? Que viva e sobreviva a Amazônia, um pouco antes dessa tramóia e muita além de tanta hipocrisia! Ora pro nobis, professor Benchimol! 
     
    (*) Alfredo é filósofo e consultor ambiental. 

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